Garota com paralisia cerebral sonha em ser influenciadora de moda e beleza

A mãe de Amanda Mangili, de 21 anos, conta a história da filha e afirma que "o caminho da inclusão não é fácil"

Por Sofia Duarte 17 jul 2021, 10h00
de um lado, o hidratante, o perfume e a máscara facial hello stars, dispostos lado a lado. De outro, as frases: Cada estrela é única, como você. Conheça a nova linha Hello Stars. Todos os elementos estão em um fundo azul escuro com estrelas que brilham
CAPRICHO/Divulgação

Aos 21 anos, Amanda Mangili conquistou mais de 100 mil pessoas nas redes sociais, apesar dos desafios causados pela paralisia cerebral. A jovem, da cidade de Dois Córregos (SP), ama o universo da moda e da beleza e sonha em trabalhar como influenciadora digital. A CAPRICHO conversou com sua mãe, Janaína Mangili, que fala sobre a determinação da menina mesmo diante do preconceito.

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Quando nasceu, Amanda ficou alguns dias internada na UTI devido a uma alta taxa de icterícia, que acontece quando o sangue apresenta excesso de bilirrubina, substância de pigmento amarelado produzida após a destruição de glóbulos vermelhos. Diante desse quadro, caso ele não seja tratado de forma adequada, pode acontecer uma complicação chamada kernicterus, responsável por provocar lesões no cérebro. Foi o que ocorreu com Amanda. Na época, os médicos não fizeram alertas a respeito de possíveis consequências do problema, e a família só foi descobrir a paralisia aos sete meses de vida dela.

“Começamos a correr com fisioterapia, fonoaudiologia, hidroterapia… E ela sempre foi muito forte, nunca chorava e sempre aceitou tranquila. Ia sorrindo. Os médicos falavam que ela não iria andar e que talvez ficasse em estado vegetativo, mas, aos quatro anos, ela andou. Caía direto, batia a cabeça, dava ponto, mas continuava a andar. Aí, eu comecei a ensiná-la a sair da fralda”, lembra Janaína.

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Amanda aprendeu libras e, na escola, foi alfabetizada e conheceu o computador. “Ela viu que tinha um meio de ela se comunicar com as pessoas e foi aí que pegou amor pelos eletrônicos. Ela é apaixonada! Conversa comigo e fala tudo o que ela quer através da escrita [no celular e computador].”

A relação com a internet começou ainda cedo, aos 14 anos, e desde lá Amanda admira muito a influenciadora digital Taciele Alcolea. Mas a própria Janaína foi maquiadora por muito tempo, o que provavelmente também a inspirou a entrar no universo da beleza.

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Enquanto a mãe está por trás das câmeras gravando os vídeos e ajudando no dia a dia, quem tem as ideias, separa os looks e faz as edições é a Amanda. “Ela que cria, inventa, vai no armário, pega as roupas, põe em cima da cama… Ela muito é disciplinada, não gosta de fazer nada para amanhã, quer entregar mais do que combinou. Edita e mexe em tudo, tem os aplicativos e os filtros que ela gosta.”

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A pergunta que Amanda mais faz é: “Vou conseguir mais trabalho? Quero juntar meu dinheiro para comprar um computador.” Apesar de incentivá-la, Janaína conta que não é tão simples assim. “O caminho da inclusão não é fácil. A aceitação é muito difícil. A inclusão é bonita na internet, nas propagandas… Mas, na hora do ‘vamos ver’, é complicado. As lojas escolhem pagar uma outra menina, não ela. Não é fácil, nunca foi fácil. Se eu falar que tudo é maravilhoso, é mentira.

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autoestima não é um campo nada desagradável para a Amanda, viu? “A Amanda se acha linda, ela não vê defeitos nela mesma“, conta Janaína. “Ela não tem complexo com a autoestima, nunca teve. Só uma época um pouco com o andar dela, não sei se era vergonha, que ela falava bastante. Mas eu sempre disse que era normal.”

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“Os seguidores deixam muitos recados no Instagram, falando ‘Amanda, depois que eu te vi, eu passei a dar valor a minha vida’. Ela incentiva muitas meninas com o jeito dela. Ela conquistou todo mundo sem dizer uma palavra, só com o jeito, com os gestos, com a vontade dela, sentando e mostrando a maquiagem, fazendo os vídeos… E ela é superfeliz! Nada a impede, sabe?

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O sonho da Amanda é conseguir sua independência financeira por meio do seu trabalho na internet, inclusive com seu canal do YouTube, e uma das pessoas com deficiência que a inspira a seguir nessa jornada é a modelo Maju de Araújo, que possui Síndrome de Down e é embaixadora de uma marca de beleza internacional. “A Amanda se inspira muito na história dela. Existem oportunidades, mas ainda faltam muitas. O nosso sonho é que ela consiga reconhecimento e que acreditem nela“, afirma Janaína.

Desejamos muito sucesso para você, Amanda! <3

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Garota com paralisia cerebral sonha em ser influenciadora de moda e beleza
A mãe de Amanda Mangili, de 21 anos, conta a história da filha e afirma que "o caminho da inclusão não é fácil"

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